Análise quali-quantitativa das variáveis da estratificação de risco de Framingham: comparação entre homens e mulheres.
Introdução: No Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis representaram 74% da totalidade de mortes no ano de 2012, 31% destas atribuídas às doenças cardiovasculares (DCV). A fim de aprimorar ações preventivas às DCV, a estratificação de risco se faz útil dentro de um contexto clínico e epidemiológico¹. Para isto, os modelos de risco mais conhecidos e usados são aqueles oriundos do Framingham Heart Study
Objetivo: Avaliar e comparar o risco cardiovascular entre homens e mulheres e analisar suas variáveis.
Metodologia: A pesquisa retrospectiva qualitativa se utilizou da plataforma DATASUS para o levantamento do número de pacientes hipertensos (n=721) de uma Unidade Básica de Saúde do município de Guarulhos, São Paulo. Foram filtrados e selecionados apenas os prontuários (n=243) capazes de fornecer idade, sexo, exames de colesterol total (CT) e fração HDL (ou em uso de estatinas), além de pressão sistólica (PAS), presença ou ausência de diabetes (DM) e tabagismo. O escore de estratificação de risco de Framingham Modificado foi aplicado e os dados tabulados e trabalhados estatisticamente em planilha eletrônica. Em seguida, realizaram-se análises quali-quantitativas das variáveis e comparou-se o resultado entre homens e mulheres.
Resultados: O estudo contou com uma amostra de 83 homens e 160 mulheres com idade média de 59 anos. Foram identificados 93 diabéticos e 23 tabagistas. As médias de CT e fração HDL variaram respectivamente de 180 mg/dl e 39 mg/dl para homens e 200 mg/dl e 48 mg/dl para mulheres. A PAS teve uma média de 135 mmHg para ambos os sexos. O escore global de Framingham (gráfico) apontou respectivamente para homens e mulheres: baixo risco em 42,16% (n=35) e 34,38% (n=55), risco moderado em 38,57% (n=32) e 41,25% (n=66) e alto risco em 19,27% (n=16) e 24,37% (n=39).
Conclusão: Na presente pesquisa, em decorrência da mesma média de PAS encontrada em ambos os sexos, esta variável não contribui para justificar os resultados. Já a questão da amostra possuir a mesma média etária favoreceu ao risco aumentado no sexo feminino. A pesquisa aponta o dobro do número de tabagistas do sexo masculino e a prevalência de DM 2% maior no sexo feminino, convergindo com a literatura³. Foi identificada uma média de perfis lipídicos alterados somente no sexo feminino, sendo esta associada ao maior risco encontrado nesta população. Desta maneira, há maior proporção de mulheres com 50 anos ou mais em riscos moderado e alto para o desenvolvimento de DCV em até 10 anos.
Doenças cardiovasculares, risco cardiovascular, estratificação de Framingham.
Clínica Médica
Universidade Cidade de São Paulo - São Paulo - Brasil
Pedro Loredano Araújo Menezes Souza, Marcelo Monteiro Mota