Ablação de taquicardia atrial em paciente com transposição de grandes vasos corrigida
A transposição dos grandes vasos (TGV) é uma cardiopatia congênita na qual existe, concomitantemente, discordância atrioventricular e ventrículo-arterial. É uma anomalia pouco frequente, que abrange aproximadamente 1% das doenças cardíacas congênitas (DCC). Os defeitos mais frequentes são a comunicação interventricular, estenose pulmonar, bloqueio atrioventricular total e disfunção ventricular direita. Em decorrência da cicatrização de muitos dos procedimentos cirúrgicos, patches, linhas de sutura e fibrose adjacentes, um meio arritmogênico é criado e arritmias atriais são cada vez mais reconhecidas nestes grupos. Por esta razão, o uso de marcapasso é necessário em até 80% dos pacientes que tenham sido submetidos à cirurgia de correção da TGV. Várias considerações existem para o implante de marcapasso nesses pacientes sendo necessários estudos de imagem, pois o acesso às câmaras cardíacas frequentemente coloca dificuldades neste grupo. A ablação por cateter é atualmente utilizada em muitos pacientes adultos com DCC e taquiarritmias atriais. Embora a taxa de sucesso precoce seja excelente mesmo nos defeitos mais complexos, as taxas de recorrência em longo prazo permanecem altas, porém mesmo que a arritmia retorne há melhora da sintomatologia e diminuição de internações.
Demonstrar se terapia com técnica de ablação é efetiva para arritmia decorrente de correções cirúrgicas de TGV.
Relato de caso de paciente atendido do ambulatório do curso de medicina-UNISC. Indivíduo assinou o TCLE.
R.M.S., masculino, 18 anos, nasceu com transposição dos grandes vasos da base associado à comunicação interventricular e interatrial, sendo feitas duas cirurgias com correção apenas da TGV. Permaneceu estável até os 18 anos quando começou a apresentar episódios de palpitações taquicárdicas repetidas e eventos arrítmicos sustentados com necessidade de reversão medicamentosa na emergência em vários episódios. Paciente passou por sucessivas avaliações onde foram realizados ecocardiograma, angiotomografia, holter e ergometria, sendo optado por realizar estudo eletrofisiológico terapêutico com sistema eletroanatômico (sistema de carto). Foi realizada ablação com reversão da taquicardia durante aplicações de radiofrequência em área de fibrose cirúrgica prévia. Não houve intercorrências durante o procedimento.
A técnica de ablação mostrou-se efetiva em relação à arritmia associada à TGV e o paciente seguiu assintomático nas reavaliações sucessivas.
Transposição dos Grandes Vasos; Arritmias Cardíacas; Ablação por Cateter.
Clínica Médica
Universidade de Santa Cruz do Sul - Rio Grande do Sul - Brasil
Anderson Berni Cristofari, Letícia Lanzarin Gehm, Basem Juma Abdalla Abdel Hamid