Relato de caso de colite colagenosa em paciente com diagnóstico prévio de doença celíaca
INTRODUÇÃO: A colite colagenosa tem como característica diarreia crônica aquosa associada a exames imaginológicos gastrointestinais normais. No exame anatomopatológico apresenta larga faixa de colágeno na camada subepitelial da mucosa. Está relacionada a medicações e doenças autoimunes tal como a doença celíaca, que devido ao aumento de linfócitos intra-epiteliais nos órgãos gera a uma resposta exacerbada em indivíduos sensibilizados por antígenos luminais análogos ao glúten.
OBJETIVO: Relatar um caso de paciente com colite colagenosa associada à doença celíaca.
MÉTODOS: Relato de caso descritivo.
RESULTADOS: Relato de caso de uma paciente, feminina, 42 anos, que há 2 anos referindo diarreia caracterizada por fezes de consistência líquida duas a três vezes ao dia, associado a cólicas abdominais. Nega associação à ingesta alimentar. Refere diagnóstico de doença celíaca há 1 ano e estava em tratamento adequado com melhora parcial dos sintomas. Negava produtos patológicos. Fez uso de anti-helmínticos no período. Nega outras comorbidades ou história familiar de neoplasias digestivas. Ao exame físico apresentava-se em BEG, hipocorada +/4+, hidratada, afebril. Ao exame abdominal, ruídos hidro-aéreos aumentados, timpanismo e flacidez, sendo levemente doloroso à palpação difusa. Exames laboratoriais com discreto aumento de provas inflamatórias. Foi realizada colonoscopia na qual não se observaram alterações significativas, no entanto foram realizadas biópsias seriadas de todo o cólon. O resultado anatomopatológico demonstrou achados compatíveis com colite microscópica cologênica. A paciente foi submetida ao tratamento com Mesalazina 1200mg ao dia e apresentou resolução dos sintomas. No momento mantém acompanhamento ambulatorial sem queixas.
CONCLUSÃO: A colite colagenosa é uma condição rara e quando associada a outras doenças gastrointestinais, acaba por não ser cogitada, o que faz com que seu diagnóstico seja postergado. Deve ser considerada no diagnóstico diferencial de diarreia crônica aquosa não sanguinolenta, e justifica a realização de biópsias ao longo do tubo digestivo, mesmo com mucosa macroscopicamente normal, devendo-se alertar o anátomo-patologista para essa hipótese diagnóstica. A terapêutica visa eliminar secretagogos da dieta, descontinuar anti-inflamatórios não esteróides, administrar agentes antidiarreicos e 5-aminosalicilatos. Nos casos resistentes, corticoterapia.
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Clínica Médica
Universidade do Vale do Itajaí - Santa Catarina - Brasil
Claudia Theis, Ana Carolina Radin, Bruno Lorenzo Scolaro, Fangio Ferrari, Gustavo Becker Pereira