RELATO DE CASO: DIAGNÓSTICO TARDIO DE FÍSTULA ARTERIOVENOSA PULMONAR EM IDOSO.
As fístulas arteriovenosas pulmonares (FAVP) podem ocorrer como um distúrbio congênito isolado, como parte da telangiectasia hemorrágica hereditária generalizada, síndrome de Osler-Weber-Rendu ou secundária a trauma, infecção, cirrose hepática crônica, estenose mitral, carcinoma metastático e amiloidose. Tipicamente ocorrem nos lobos inferiores ou no lobo médio direito.
Relatar e discutir sobre diagnóstico tardio de fístula arteriovenosa pulmonar em paciente idoso.
Revisão de prontuário e pesquisa bibliográfica nas bases de dados MEDLINE,SCIELO,LILACS e MD Consult.
Paciente W.R.S., 75 anos, sexo masculino, diagnósticos prévios de diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial sistêmica, tuberculose pulmonar, insuficiência cardíaca e insuficiência renal crônica. Procurou atendimento médico queixando-se de dispnéia aos médios esforços. Ao exame físico apresentava regular estado geral, murmúrio vesicular diminuído, estertoração em bases pulmonares, anasarca e ascite volumosa. Nos exames laboratoriais iniciais, observamos valores alterados de uréia, creatinina e hemoglobina. Foi realizada a paracentese diagnóstica com 2300 ml de líquido drenado e GASA de 0.9. Eletrocardiograma apresentou irregularidade de ritmo com extrassístoles ventriculares bloqueadas. Ecocardiograma demonstrou insuficiência mitral de grau leve; coronariopatia obstrutiva uniarterial de grau leve; hipertensão arterial pulmonar de grau moderado; ventrículo direito com volumes aumentados e insuficiência tricúspide grave. Na angiografia, evidenciou hipertensão pulmonar crônica de grau moderado; importante fístula arteriovenosa do tronco intercosto-brônquico para ramos da artéria pulmonar direita. Após angiografia o paciente apresentou pielonefrite e nefropatia por contraste, sendo iniciado Ciprofloxacina. Foram realizadas paracenteses terapêuticas e embolização de FAVP.
A maior parte dos pacientes são assintomáticos, porém quando se apresentam, os sinais e sintomas mais comuns são cianose, epistaxe, hemoptise e baqueteamento digital. A investigação da FAVP inicia-se pela radiografia de tórax, evidenciando-se lesões circunscritas com densidade lobulada e a maioria localizada em lobos inferiores. O padrão-ouro para diagnóstico da FAVP é a angiografia. O tratamento pode ser realizado por embolectomia percutânea, balão descartável ou excisão cirúrgica, sendo a embolectomia o procedimento de primeira escolha.
Fístula arteriovenosa pulmonar.
Clínica Médica
Universidade de Cuiabá - Mato Grosso - Brasil
Giulliano Castiglioni Alves Bosi Barbosa, Millena da Costa Moura, Josiane Martin, Letícia Pereira Scolari, Lucas Almeida Oliveira Reiners