MIOCARDIOPATIA PERIPARTO: RELATO DE CASO
INTRODUÇÃO: A miocardiopatia periparto (MCPP) é uma forma rara de cardiomiopatia dilatada, com o desenvolvimento de insuficiência cardíaca (IC) sistólica no período entre o último mês da gestação ou até os seis primeiros meses pós parto,na ausência de outras causas de IC em mulheres previamente saudáveis. A etiologia é desconhecida, com incidência maior em mulheres de raça negra,multíparas, maiores de 30 anos, com pré eclampsia e doença hipertensiva gestacional. A terapêutica consiste desde tratamento clínico a transplante cardíaco para os casos refratários. Atualmente apresenta uma baixa incidência de morte (7%) e necessidade de transplante (7%).
OBJETIVO: Relatar o caso de uma paciente com MCPP, que abriu o quadro de uma forma grave, no quinto mês pós parto.
MÉTODOS: As informações foram obtidas por meio de revisão do prontuário e revisão da literatura.
CASO CLÍNICO: IGSC, 34 anos, sexo feminino, negra, tabagista, hipertensa desde o segundo trimestre da última gestação, em uso de metildopa 1,5g/dia. É G3P3A0 (1PN+2PC). Última cesárea ocorreu por síndrome HELLP parcial. Deu entrada no pronto atendimento no 5º mês pós parto com queixas de dispnéia em repouso, turvação visual, oligúria, dispnéia paroxística noturna e palpitações, que iniciaram ao final da última gestação, com períodos de exacerbação e remissão. Ao exame: PA: 160x125 mmHg; FC: 120 bpm; FR: 48 irpm, com turgência jugular, tiragem intercostal. À ausculta cardíaca presença de B3. Estertores crepitantes em bases e edema de membros inferiores 3+/4+. Foi instituída terapêutica otimizada para IC.
Ao ecocardiograma (ECO) apresentou importante comprometimento sistólico, com Fração de Ejeção: 16%, por doença difusa do miocárdio. Foram excluídas outras etiologias de IC , bem como possíveis infecções relacionadas. Houve melhora gradual ao longo da internação. Recebeu alta dez dias após, com terapêutica otimizada. Encontra-se em acompanhamento ambulatorial, aguardando realização de ECO para controle e Holter 24 horas para avaliação de possíveis arritmias ventriculares.
CONCLUSÃO: A MCPP é uma doença rara, de etiologia ainda a ser esclarecida. No caso, verifica-se a presença de vários fatores de risco associados à MCPP, com manifestação severa da patologia em questão. O diagnóstico correto, com instituição imediata da terapêutica, fez com que ocorresse rápida melhora clínica, imperativos para se otimizar o prognóstico.
cardiomiopatia periparto, cardiomiopatia dilatada, insuficiência cardíaca, gestação.
Clínica Médica
Hospital Universitário Júlio Muller - Mato Grosso - Brasil
Tamires Lukenczuk Said, Felipe Amorim Zarour, Giselle Azambuja Okuzono, Isabelle Yassu Itimura, Isadora Lukenczuk Said